domingo, 9 de junho de 2013

Universidade política?



No dia 28 o Pará passou a ter em seu território três universidades federais. Além da UFPA de Belém, a mais antiga, implantada em 1958, e da universidade do oeste do Estado, a Ufopa, de 2009, agora existe legalmente a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, aprovada pelo Senado na semana passada. O projeto de lei foi sancionado hoje, em Brasília, pela presidente Dilma Rousseff.

A sede da nova universidade ficará em Marabá, onde ficará a maioria dos seus 56 cursos (outros se espalharão por três campi na região). O projeto, apresentado em 2011 e que teve tramitação inusualmente rápida, criou 1.655 vagas, das quais apenas 1.101 de carreira. As outras 554 são de livre designação ou aprovação pelo Ministério da Educação.

A carreira é formada por 506 cargos de professor, 238 cargos técnico-administrativos de nível superior e outros 357 cargos técnico-administrativos de nível médio. Os cargos à parte são os de reitor e vice-reitor, mais 90 de direção e nada menos do que 462 funções gratificadas, constituindo o segundo maior contingente.

A criação da nova universidade aconteceu exatamente em semana na qual dois fatos deviam servir de alerta e estímulo para a reflexão sobre a multiplicação das escolas públicas de ensino superior na Amazônia e, em particular, no Pará,, sob a justificação da descentralização em busca de maior e melhor presença do ensino superior.

Na semana passada, pesquisa da QS University, uma organização especializada dos Estados Unidos apontou as universidades da Amazônia como das piores dentre 301 instituições de ensino superior da América Latina que foram pesquisadas. A posição das universidades é baseada na avaliação de sete critérios, entre impacto da instituição na internet, quantidade de artigos publicados, reputação acadêmica e citações em artigos. Como em toda classificação, os critérios são passíveis de crítica, mas o ranking é uma forma de encarar a situação.

A poderosa Universidade Federal do Pará, com seu orçamento de um bilhão de reais, 2,5 mil professores, 2,3 mil servidores e 50 mil alunos (sete mil dos quais na pós-graduação), ficou em 124º lugar na listagem, a melhor posição das unidades acadêmicas, seguida de perto (em 127º lugar) pela federal de Mato Grosso, a do Maranhão (158), do Acre (248), de Roraima (298), a estadual do Maranhão (297) e a nossa Uepa (em 294ª posição). a penúltima das brasileiras.

O segundo fato foi a cassação do mandato do deputado federal (do PT do Pará) Cláudio Puty. Ele liderou, no plano político, a movimentação de bastidores para a criação da nova universidade do sul e sudeste do Pará, abrigada precariamente por uma sigla (UFSSP) só mais intragável do que a sua antecessora, a Ufopa.

A cassação foi decidida por maioria de 4 a 1 pelo Tribunal Regional Eleitoral, motivada por abuso de poder e conduta vedada nas eleições de 2010. O julgamento na instância estadual chegou ao fim quase três anos depois da denúncia do Ministério Público Federal e a pouco mais de um ano da próxima eleição, na qual Puty pretendia (e pode ainda pretender) disputar um segundo mandato.

Ele foi o quarto mais votado (com mais de 100 mil votos) em 2010, mesmo sendo neófito em política, com antecedentes restritos à vida acadêmica. Foi o preferido da governadora petista Ana Júlia Carepa, de cuja Casa Civil foi chefe antes de participar da eleição.

O episódio suscita um questionamento: se a Secretaria de Meio Ambiente do Pará e o Ibama, realmente se tornaram instrumentos de manipulação política (além de corrupção no desempenho de suas tarefas específicas), a nova universidade não está exposta a um risco, por sua origem, de aparelhamento político? Não pode se tornar, também, à parte suas funções acadêmicas, num núcleo de apoio político partidário?

Na busca por uma resposta satisfatória e convincente, é preciso não esquecer que o professor Maurílio Monteiro, que será o reitor da nova universidade, é irmão de Marcílio Monteiro, o chefe do Ibama quando o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis serviu aos propósitos políticos do PT e suas extensões, visíveis ou invisíveis.

Com essa motivação, acadêmicos, políticos e demais interessados podiam, finalmente, acordar para essa nova realidade em consolidação, a das universidades públicas espalhadas pelo vasto território paraense. Vieram para melhorar as coisas ou para continuar a subordiná-las a outros interesses que não a excelência do combalido ensino universitário na Amazônia?

PS - O leitor Antonio Carlos tem razão: deixei de citar no meu artigo a Ufra, Universidade Federal Rural da Amazônia, antiga FCAP (Faculdade de Ciências Agrárias do Pará). Não por desconhecê-la: já fui várias vezes a ela para fazer palestras. É porque não se enquadrava na ótica pela qual fiz a advertência sobre o uso diretamente político das novas universidades, que têm amplitude maior.

A Ufra ainda permanece relativamente isolada, especializada nas ciências da terra. E não é o alvo dessa investida materializada na Ufopa e, agora, na Universidade do Sul e Sudeste do Pará. Mesmo assim, eu devia ter feito uma referência à quarta universidade, ao menos para efeito documental.

Queria destacar ainda mais a relação entre os cargos da carreira universitária e os de livre nomeação, através de DAS, pelos que estão com o poder nas mãos.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O DESAFIO DE ENSINAR INGLÊS NA ESCOLA PÚBLICA

Esse post foi retirado do site da UFAC. A idéia é reptir essa programação na UFPA, campus de Marabá em junho próximo. Vamos torcer pra que possamos agendar com o professor Sávio para o mêes de junho  próximo.
SAIBA MAIS LENDO O POST ABAIXO:

A Coordenação do Curso de Letras/Língua Inglesa da Universidade Federal do Acre (Ufac) e o Programa de Iniciação à Docência (Pibid) promovem no dia 30 de abril, no Auditório dos Mestrados da Ufac, às 14h, a palestra “O desafio de ensinar Inglês na escola pública”, com o Prof. Dr. Domingos Sávio Pimentel Siqueira, da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Na ocasião, serão abordados alguns estudos que convergem para um ensino eficaz de língua estrangeira, apontando caminhos para o seu bom funcionamento.
Professor Domingos Sávio Pimentel Siqueira
Professor Domingos Sávio Pimentel Siqueira
O palestrante, Domingos Sávio Pimentel Siqueira, é doutor em Letras e Linguística pela UFBA. Trabalha com sociolinguística da língua inglesa, abordagens críticas ao ensino de Inglês, imperialismo linguístico, estudos pós-coloniais de língua inglesa, pedagogia crítica aplicada ao ensino de línguas e práticas reflexivas no ensino e na aprendizagem de línguas.
De acordo com a coordenadora do evento, professora Maysa Cristina Dourado, essa palestra pretende discutir o papel desse idioma na atualidade e os problemas relacionados ao seu ensino e aprendizagem. Trata-se de uma atividade destinada não somente aos alunos de graduação e pós-graduação da Ufac, mas também aos professores que já atuam na rede pública de ensino e aos interessados pelo tema. O objetivo principal é contribuir para uma melhoria no processo de ensino do Inglês.
Além da palestra, Maysa Dourado informa que o professor Sávio Pimentel realizará, ainda, uma oficina voltada exclusivamente para os alunos das graduações em Letras/Inglês e em Letras/Espanhol que estão envolvidos no Pibid, nos dias 29 e 30 de abril, no turno da manhã, com o tema: “O professor de Inglês na contemporaneidade: teoria e prática”.
Mais informações podem ser obtidas de segunda à sexta-feira, das 13h30 às 19h, na sala da Coordenação do Curso de Letras/Inglês ou através do e-mail: pibidingles.ufacriobranco@gmail.com.
As inscrições para a palestra são gratuitas. Para acessar o formulário de inscrições clique aqui.
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quarta-feira, 17 de abril de 2013

ENGLISH AS A LINGUA FRANCA



Never before has there been a time when so many nations needed to talk to each other so much or so many people wished to travel to so many places. These are definitely common features of our times. The presence of English language in the lives of peoples around the world nowadays represents for everyone, a time in human history with no precedents. More and more people bring the English language to their lives every day and words like bilingualism, multilingualism, and diversity constitute our world scenario.
We may point out that English language has become a lingua franca or world language for several reasons which were established historically; and that its strength has been constructed along the years due to the role played by the nations which speak this language. If we look a bit back in time, we will be able to perceive that English was the language of the leading colonial nation – Britain, in the late 17th and 18th centuries. Also it was Britain, the leader of the industrial revolution and obviously one of the most powerful countries of that time. In the late 19th century and early 20th century, English was then the language of another leading economic power – The United States of America. So in recent history, English has repeatedly found itself in the right place at the right time (CRYSTAL 2001) and became part of significant changes in the world historically, socially or economically.
Back in the 1960s, social movements, fights for political independence, the human rights’ cause and the revolution in electronics’ industry found their way to make a stand throughout the world in English. All these aspects contributed to the expansion of this power and affected societies all over the world. Also, these facts established different networks of international alliances – in politics, the press, the advertising, businesses, tourism, broadcasting, motion pictures production, sound recording, education, culture, etc. Some of the consequences were the increasing contact of people from different countries with different first languages who started making use of English to communicate or interact socially.
The latest advances in communication and technology which comes with the global use of the Internet is another way to realize how powerful the presence of English language has become along the years. The internet has also established a new chapter to the history of the English language use in the world – websites, weblogs and social networks. It is definitely the language of the World Wide Web. The internet user will make use of English in order to reach a larger number of interlocutors whenever he or she is willing to send a message across the world. Scholars like Kachru (chart above) and other people from different scientific backgrounds contact each other in English as way to open their discussions internationally. Once again, it is proved that language limits are not that simple to be measured.
So in this sense, the number of people using English as a second or a foreign language has increased significantly bringing up “new englishes” or what we may call international English. It has become the “contact language” of several people independently of their nationality – a lingua franca.
Refferences: Kachru, The Other Tongue and David Crystal, The Language Revolution 2004.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

An overview of approaches and methods in language teaching.



There has been a continual debate about how to describe the processes of teaching and learning a language in different contexts and what the best ways of doing it are. Much current teaching practice has also been the direct result of such a discussion. There have been some traditional techniques which have been applied for many years.
In more recent times, some teaching models have had a strong influence in the classroom practices and which teachers still make use or refer to. The idea here is to provide an overview of these methods and approaches, as well as think of other possibilities like building our own path and pioneers in our teaching practices, as it has been poited out by authors like Kumaravadivelu (2006). Along the years, some of most popular methods and approaches are: grammar translation, audio-lingualism, presentation-practice and production (PPP), communicative language teaching (CLT) and task-based learning (TBL).
The Grammar Translation Method was probably the most commonly used way of learning a language for hundreds of years. Inspired by the teaching of classical languages such as Latin and Greek, the method worked by analyzing the grammar and by finding equivalents between the students’ language and the target one. The learning was based on the construction of sentences to be translated, corrected grammatically and the focus was concerned on the written language . Obviously, grammar and translation as well as vocabulary play very important roles along different levels of language learning, but a strict concentration in structural aspects may prevent students from acquiring the kind of natural language input which may enable them to learn language as a whole. It is important to point out here that “the danger” with this method was that it taught people about the language rather than the language itself. Establishing different approaches to language classes was necessary, especially the focus on speaking skills rather than just writing.
One method heavily based on psychological behaviorist theories was the so called Audio Lingualism. These conceptions suggested that much learning is the result of habit formation through conditioning. So audio-lingual classes concentrated on long repetition- drill stages in which the teacher expected the students would acquire good language habits such as native-like pronunciation. Audio Lingualism gained much popularity in the US where it was called the Army Method and also in many countries studying English as a foreign language (EFL) especially because learners could actually listen and repeat the target language orally. Critics of this method argued that learning a language was far more subtle than simply work on habit formation, repetitive drills and conditioning students to learn structural aspects of the language. It cannot be denied the fact that drilling is very useful in low level stages of learning, but there was a need of real contextualization of the teaching practices.
The Presentation Practice and Production (PPP) method was very similar to the audio lingual approach. It consisted on drills presented to the students as a language situation in which students could practice in a more controlled way at first and later talk more freely as a stage known as Production as a three-stage activity. But still classes were too much attached to language structure what was more effective for beginners but too mechanical and predictable for intermediate and advanced levels in the language learning process.
At this time there was a need to apply a different approach to language classes, learners should have a reason to interact. Functional aspects of language had been pointed out as essential features of a language; it had to be seen beyond the structural view. Language involves acts of speech contextualized by situations as inviting, agreeing, disagreeing, suggesting, etc. Communicative Language Teaching (CLT) developed from the idea that students need exposure to the language and opportunities to use it and once learners are motivated to do so, the learning process will take care of itself. Inspired by these theoretical views, the task- based learning (TBL) put the emphasis on tasks rather than in language. Learners would be challenged to interact in specific situations, a task in order to “solve” a problem by interacting, negotiating and communicating. Negociate became a key word for TBL practioners especially for speaking tasks. The teacher would provide guidance and language tools fitting to a contextualized situation, so students could actually use language more effectively most of the time. This would build up the learners’ confidence as well as more positive results in the learning process.
Debate still continues, but more important than trying to find a “perfect methodology” is to be aware of the teaching context and make use of  adequate approaches in different learning processes always taking into account the faxt that different contexts (ESL/EFL) will require different approaches. We should frequently ask ourselves what those learners' needs are. What English should I teach? What is the cultural relevance? What is my social role as a language teacher? We certainly have more questions than answers, but that is definitely a construction in process with several posibilities.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

A BOLIVIA QUE A MÍDIA BRASILEIRA NÃO MOSTRA.


Por Altamiro Borges
Na semana passada, o presidente Evo Morales fez um balanço sobre os avanços do seu governo. A mídia colonizada – que “fala fino com Washington e fala grosso com a Bolívia”, como já ironizou Chico Buarque – preferiu ocultar as boas notícias do país vizinho, como se ele não existisse. No seu velho padrão de manipulação da informação, como ensina o mestre Perseu Abramo, a mídia realça o que lhe interessa e omite o que não lhe interessa. No caso da Bolívia, ela só é notícia quando ocorrem fatos negativos.
Segundo o balanço, que faz parte do novo censo nacional, a economia boliviana vive um período de expansão, impulsionada pela força do mercado interno e pelo aumento dos investimentos públicos. O país está nos primeiros lugares do ranking de crescimento na região. Enquanto a média de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) entre os anos de 1999 a 2005 foi de 2,6%, nos últimos seis anos ele atingiu os 4,8%. No mesmo período, a média da renda per capita da população subiu de US$ 956 para US$ 1.775.
O governo teve papel decisivo como indutor do desenvolvimento. O Estado elevou sua participação na economia de 18,5% para 30,6% em 2012, com o aumento de investimentos e a estatização de empresas. Isso rendeu ao setor público um crescimento na receita de exportação: no caso dos minerais, o governo passou a arrecadar cerca de US$ 11,3 bilhões no período de 2006 a 2012 - quase 10 vezes mais que os US$ 1,75 bilhão entre 1999 e 2005. “Agora dependemos menos do mercado externo”, festejou Morales.
Os avanços na economia tiveram reflexos diretos na melhoria do bem-estar dos bolivianos. Entre 2006 e 2012, mais de 1,6 milhão de pessoas se beneficiaram com projetos de água potável e saneamento básico da campanha Minha Água, que tem como objetivo atingir até 2015 os “objetivos do milênio” traçados pela ONU. Com a introdução de bolsas escolares de US$ 29 para jovens da escola primária e secundária, o governo reduziu o número de deserção escolar e aumentou o número de alfabetizados.
Nos sete anos de mandato de Evo Morales, o governo também investiu pesado na saúde pública em todas as regiões do país. Mais de 10 mil postos de saúde foram criados. Com estas e outras medidas, a diferença entre as taxas de natalidade e mortalidade diminuiu de 2,74% para 2,03%. A população boliviana teve um crescimento de 25,5% nos últimos dez anos, chegando à marca dos 10,3 milhões de habitantes em 2012. Infelizmente, estas boas notícias não mereceram o devido destaque da mídia colonizada do Brasil.
Ao festejar o balanço altamente positivo, o presidente Evo Morales se comprometeu em manter o ritmo das mudanças para atingir os “13 pilares do programa de governo para uma Bolívia digna e soberana”:
1- Erradicação da pobreza extrema;
2- Universalização de serviços básicos para “viver bem”;
3- Saúde, educação e esportes para “formação de um ser humano integral”;
4- Soberania científica e tecnológica;
5- Desenvolvimento integral “sem a ditadura do mercado capitalista”;
6- Soberania financeira;
7- Nacionalização e industrialização dos recursos naturais;
8- Soberania alimentar;
9- Defesa do meio ambiente, “respeitando os direitos da Mãe Terra”;
10- Integração soberana da América Latina;
11- Transparência na gestão pública com base nos princípios de “não roubar, não mentir e não ser frouxo”;
12- Desenvolvimento e desfrute da cultura boliviana;
13- Reencontro com “a nossa alegria, felicidade, prosperidade e nosso mar”.
Fonte:
http://sobrenuestramerica.blogspot.com.br/2013/01/a-bolivia-que-midia-oculta.html

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Buracos é o que Mineração nos deixa. Texto de Lucio Flávio Pinto.

“Graças à sua estratégica posição geográfica – no cruzamento de grandes rodovias, da futura ferrovia Carajás-Itaqui, nas margens da hidrovia do Tocantins, com disponibilidade de energia a ser fornecida por Tucuruí – Marabá possui especial vocação não apenas para centro comercial, agropecuário e produtor de bens minerais, mas também para tornar-se importante polo metalúrgico. Certamente, na virada do século, Marabá deverá ser um dos importantes centros industriais do país, com população superior a 200 mil habitantes”.
Esta previsão foi feita em 1980. Seu autor é o geólogo paulista Breno Augusto dos Santos. Ele era então – e continua a ser até hoje – uma das pessoas mais autorizadas a fazer considerações vívidas e profundas sobre a região dominada pela maior província mineral do mundo, a de Carajás, no centro-sul do Pará.
Breno pode ser considerado o descobridor da melhor jazida de minério de ferro do mundo por ter coletado, em 1967, a primeira amostra que definiu a existência do conjunto de bens minerais de Carajás. Quando começou a ser explorada, em 1985, tinha 18 bilhões de toneladas de minério, lavrável a céu aberto (que proporciona mineração mais barata).
Ao preço médio do ano passado, significaria uma riqueza de 1,3 trilhão de dólares, equivalente a mais da metade do PIB brasileiro do ano passado, de US$ 2,3 trilhões (a soma de todas as riquezas do país). Se constituísse um país, Carajás teria um PIB do tamanho do da Espanha.
Quase tudo que Breno anteviu para o momento de passagem dos dois séculos se confirmou, menos a condição de Marabá, a principal cidade da região, com quase 250 mil habitantes, como importante centro industrial do país.
Certamente esta seria a conquista principal de todo processo que ocorria quando Breno escreveu essas palavras, no trabalho “Geologia e potencial mineral da região de Carajás”, apresentado no Rio de Janeiro quase um quarto de século atrás.
Como o próprio Breno mostrou nesse estudo, todos os fatores se combinavam para o melhor dos resultados: a quarta maior hidrelétrica do mundo, o maior trem de carga que existe na Terra, um dos melhores portos mundiais, uma hidrovia de dois mil quilômetros e várias extensas rodocias. Mas essa perspectiva se frustrou.
Marabá cresceu, deu origem a vários outros municípios e ainda continuou a ser a capital do vale do Araguaia-Tocantins (drenando 8% do território brasileiro), embora perdendo a hegemonia quantitativa para Parauapebas, polo especializado em mineração e, por isso mesmo, dilacerado entre seu potencial de desenvolvimento e sua situação real (continua pobre, embora seja o 2º município que mais exporta e o que mais gera saldo de divisas para o país).
Não basta dispor de recursos naturais e de vantagem locacional se não se conta com inteligência aplicada. O crescimento da região de Carajás é tão impressionante quanto desequilibrado. Gera efeitos surpreendentes e nem assim leva ao desfecho mais desejado, que seria a agregação de riqueza cada vez maior para o reinvestimento, a ampliação da base produtiva e o melhor benefício social. Ao invés disso, desorganização, violência, desperdício, irracionalidade, caos.
O tempo passa e à medida que o seu avanço mantém essas características predatórias, com a exaustão de recursos finitos e a não renovação daqueles que podiam ser utilizados em maior extensão e intensidade, o pêndulo da história vibra contra as aspirações da região.
O crescimento populacional pode fazer Marabá alcançar a terceira posição no ranking estadual nos próximos anos. As atividades econômicas extrativas se multiplicam. Há novos meios de transporte, mas não a hidrovia. E a energia criada pela hidrelétrica de Tucuruí foi transferida para outros centros consumidores, deixando de exercer o efeito multiplicador no local. O perfil que se consolida é nitidamente colonial.
Mas ainda não é definitivo. As inteligências podem corrigir ou mudar os rumos. Para que esse objetivo esteja ao alcance das pessoas é preciso entender o que acontece e se antecipar às iniciativas que só favorecem o benefício de poucos – e de outros que não os moradores da região. É preciso adensar e atualizar o conhecimento dos fatos e dos processos para que o planejamento seja mais do que figura de retórica, como agora.
Alguns segmentos procuram estimular o interesse pelas questões da região de Carajás, consciente da urgência das decisões que precisam ser tomadas. O retorno, porém, está muito aquém das necessidades sociais. A extração de minério em Carajás já produziu uma receita bruta de mais de 300 bilhões de dólares em 25 anos. Mas o que foi reinvestido na região: O que ficou nela, mesmo que na forma de salários e imposto? O que deixou de nela ingressar por falta de novas atividades produtivas extensivas à simples extração mineral?
Como minério não dá suas safras, a escalada da produção, que nesta década passará de 100 milhões de toneladas ao ano para 230 milhões, ou se aproveita melhor a renda do recurso natural, ou, como sempre, o que restará será o buraco no lugar do minério.
Em quase todos os casos da mineração de ferro, que movimenta volume de rocha e terra que se medem por bilhões de toneladas, a regra é que a cava se transforme num lago artificial, que, quando muito, se transforma em ponto de atração para visitantes ocasionais. Não compensa nem de longe o que se perdeu com a exploração apenas da matéria prima.
Por isso, a pergunta mais importante e urgente que se faz sobre Carajás é: devemos concordar com o nível tão intenso de lavra mineral? O que nos restará mesmo são essas enormes cavas e reduzidos benefícios – e ponto final?
Lúcio Flávio Pinto | 25 de janeiro de 2013 às 5:53 pm | Categorias: Uncategorized | URL: http://wp.me/p2lHtc-5r

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O (DES) CASO REUNI - Letras Inglês em Marabá

O curso de Letras Inglês no campus de Marabá iniciado através do programa do governo federal REUNI (http://reuni.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=25&Itemid=2) encontra-se hoje em situação muito precária e apesar de muitos esforços dos professores que nele atuam desde 2010, a falta de mais professores e infraestrutura tem se mantido como marca de sua realidade. 
No campus de Marabá, pode se afirmar que dos cursos implementados desde 2009, o de LETRAS INGLES é o mais "sucateado". O curso está funcionando praticamente dentro da proporção de um (1) professor por turma de graduação. Temos hoje no campus 4 (turmas - 2009,2010,2011,2012) e com previsão pra mais uma turma em 2013. 
Oficialmente, o governo federal através do REUNI disponibilizou 10 vagas para professores neste curso em Marabá, o que nunca se consolidou e nem muito menos foi esclarecido por nenhuma das instâncias institucionais (UFPA/MARABÁ/BELÉM) até hoje. Faço um apelo a todos da comunidade acadêmica incluindo aqui mais diretamente, seus professores e alunos para juntarmos forças e exigir da UFPA melhores condições de trabalho e estudo para a continuidade desta graduação no município de Marabá.
Na infraestrutura, o curso simplesmente não possui espaço físico dentro do campus para o seu funcionamento, todas as salas alocadas para que suas atividades aconteçam pertencem a outros cursos em funcionamento dentro do mesmo campus, ou seja, o curso de LETRAS INGLÊS NÃO TEM ENDEREÇO dentro do campus, o curso não existe, salvo o momento em que as turmas estão em aula. Isso tudo acabou custando ao curso, uma nota 3 (três) em sua avaliação pelo MEC ainda em 2012, cujos avaliadores foram bem "generosos" dada a realidade encontrada.
Apesar de o curso de LETRAS INGLÊS estar vinculado a Faculdade de Estudos da Linguagem, o espaço administrativo da faculdade foi planejado originalmente para o curso de LETRAS PORTUGUÊS e não atende a necessidade de espaço que requer uma graduação de nível superior.
Lamentável também foi o que ocorreu mais recentemente no curso; um professor efetivo que havia assumido suas funções em sala de aula há pouco mais de 2 meses, simplesmente pediu exoneração deixando todas as suas turmas no meio do semestre sem grandes explicações precarizando ainda mais o curso. O mais espantoso nesse caso foi que o professor só comunicou formalmente a comunidade acadêmica há uma semana de sua saída - inviabilizando todo o planejamento de dois semestres (atual e próximo) forçando todo o corpo docente remanescente a se reprogramar, montar novo calendário e "correr" atrás de outros professores de uma hora pra outra, complicando a vida academica de dezenas de estudantes que tem seus nomes matriculados/registrados no sistema com expectativas de vencer mais uma etapa de seu curso.
A cada concurso para novos professores de inglês, estabelece se o trâmite burocrático de sempre que leva até meses para se consolidar, gerando cobranças dos discentes que muitas vezes não entendem os processos por não terem interesse ou não se apropriaram do conhecimento de funcionamento do espaço público e/ou da universidade, bem como de seus direitos como estudantes de uma instituição pública federal. Falta uma cultura política estudantil mais esclarecedora do contexto universitário que possa inclusive auxiliar os estudantes a lutarem por seus direitos de forma crítica e consciente.
Hoje, o curso tem expectativas de concurso para mais dois professores efetivos. Uma dificuldade que se apresenta também é que os concursos sempre são aberts para PROFESSOR ADJUNTO, ou seja, para a titulação de doutorado, o que diminui o número de candidatos na região, impossibilitando candidatos com mestrado de se increverem. Consequentemente, além dos candidatos serem poucos, eles acabam vindo de outras regiões do país e com muita frequencia, têm sérias dificuldades de adaptação a realidade amazonida, o que independentemente de titulação, pode comprometer a qualidade do trabalho e da realização das premissas basilares de uma universidade: ensino-pesquisa-extensão. Num momento histórico em que se buscam novos paradigmas, uma ressignificação do global e do local, é imperativo que o professor universitário possua, como profissional e como ser humano, um olhar livre de concepções neocolonialistas e/ou eurocentricas. Precisamos lutar por um protagonismo amazonida e sem importação de fórmulas "dadas"ou preconcebidas nos chamados "grandes centros" cientificos. 
Tenho clareza que na área de LETRAS INGLÊS se trata ainda de um grande desafio se livrar de certas amarras preconcebidas e assimiladas historicamente por políticas neoliberais que se apresentam mais descaradamente, por exemplo, na LINGUÍSTICA APLICADA  e todo seu aparato teórico-ideológico via USA. Nada disso deve nos desanimar e devemos lutar pela politização dos discursos, questionar idéias globalizantes que surgem para sufocar e apagar diferenças étnico-culturais e assim recolonizar nos. Devemos lutar pelo nosso protagonismo como brasileiro e como amazonida.
Finalmente, reitero minhas palavras e faço um apelo a todos que participam desse curso a juntos lutarmos pela consolidação dessa graduação e que assim possa gerar resultados científicos e político-culturais não só para a comunidade acadêmica, mas também para toda a região em que se encontra a UFPA/Marabá.