sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A exploração do trabalho aumentou

Há pessoas politicamente cegas, que pensam que o mundo do trabalho mudou. A exploração não é mais aquela dos séculos 19 ou 20. Por isso, é preciso mudar a política. A classe operária não está mais na miséria como antigamente. Esse é o papo de quem quer justificar o abandono da luta pelo socialismo e de sua adesão ao pensamento neoliberal. Isto é a aceitação do pensamento único, há 30 anos hegemônico. É claro que o mundo mudou, que a realidade do trabalho mudou, mas o fundamento do lucro do capital continua a ser a exploração e a opressão dos trabalhadores. A imposição de condições de vida e trabalho absolutamente desumanas. E o capital hoje, como sempre, prende, tortura e mata quem contesta ou faz morrer de miséria e de exploração sem fim.                
No mês de agosto o mundo assistiu a dezenas de mortes provocadas pela repressão policial a serviço dos patrões nas minas de ouro da África do Sul. Quem mandou matar? Não foi Deus e nem o Diabo. Foram os donos das grandes corporações que exploram o ouro, diamantes, ferro e mil outras riquezas daquele continente há séculos. Essa é a história da África, o continente mais saqueado pelas potências europeias para acumular suas riquezas. Nas mãos de quem? De um punhado de capitalistas, respeitosamente chamados de empresários.       
No Norte do mesmo continente, no Marrocos, há outra forma de matar trabalhadores, ou melhor, trabalhadoras. As duas maiores empresas pesqueiras da Holanda pescam camarões no Mar do Norte e os levam até o porto de Tanger, no Marrocos, para que sejam descascados. Lá estão instaladas as fábricas de descascamento onde trabalham mulheres, geralmente jovens entre 14 e 18 anos, por 12 horas por dia e em ambiente com baixíssima temperatura. No fim do mês levam para casa 60% do salário mínimo nacional. As adolescentes são tratadas como meras peças de reposição. Devido ao ritmo de trabalho e às péssimas condições, perdem sua capacidade produtiva aos 18, ficam aleijadas depois de quatro anos de trabalho.    
O mundo inteiro veste roupas ou sapatos do maior exportador mundial, a China. O segundo produtor mundial é Bangladesh. Lá a exploração é das mais terríveis. A imensa maioria das trabalhadoras ganha de 25 a 37 dólares mensais. Sim, de 50 a 80 reais. Vivem em favelas monstruosamente grandes, sem nenhuma condição humana de vida. Há constantes greves e manifestações de protesto, sempre reprimidas a tiros pela polícia dos patrões. Eles querem continuar com a mão de obra mais barata do mundo. Esta é a lógica do capital.            
E na Europa? Grécia, Espanha, Irlanda, Portugal, Itália? Lá a moda é falar da crise e com isso aumentar a exploração e retirar direitos trabalhistas. E aqui no Brasil? Sim, há quase pleno emprego, mas várias medidas estão sendo armadas para “flexibilizar” as leis trabalhistas e diminuir os custos da mão de obra. Este é o mundo do capital. O nosso mundo, o do trabalho, precisa ser construído.

Artigo originalmente publicado na edição impressa 498 do Brasil de Fato

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Uma proposta de ensino intercultural de inglês na Escola Nacional Florestan Fernandes em Marabá. —


 Nesta semana, os prof. Jairo Souza e Cintia Moura deram início a primeira etapa do projeto de extensão aprovado pela FAEL (Faculdade de Estudos da Linguagem) com a divulgação do trabalho junto aos alunos graduandos de Letras Inglês da UFPA do campus de Marabá. Na ocasião, os professores expuseram o projeto e deixaram em aberto o convite a todos os alunos do curso interessados em participar.
O projeto visa estabelecer uma parceria com a ENFF (Escola Nacional Florestan Fernandes) a partir de um curso de língua inglesa a ser desenvolvido através de oficinas com os alunos da escola e lideranças do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra). O projeto entrará em vigor no primeiro semestre de 2013 e tem entre suas exectativas estabelecer novos horizontes para o ensino-aprendizagem de língua inglesa no sudeste do Pará.
A proposta do projeto é desenvolver além do trabalho com a língua inglesa - noções de interculturalidade, reflexões sobre identidade, o papel geopolítico da lingua inglesa no mundo e suas implicações para os povos em geral, entre outros aspectos que buscam estabelecer uma educaão mais solidária e libertadora.
As fotos abaixo são do primeiro encontro em julho passado com um debate sobre Noções de Cultura a partir de uma leitura estabelecida pelos ESTUDOS CULTURAIS, movimento  chamado de New Left. 
O encontro foi parte da programação da Escola Nacional Florestan Fernandes em 2012.
Conversa sobre noções de cultura 

 ENFF - Escola Nacional Florestan Fernandes
—Coordenadores:
  - Prof. Cíntia Moura
  - Prof. Jairo Souza

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Marabá decide sair da greve que continua em outros campi..

 Em Belém, a assembléia contou com a presença de mais de 150 docentes que decidiram manter a greve sem data marcada pra voltar. Abaixo as fotos tiradas por mim nesta manhã de quinta-feira em Belém e acessem o link com a postagem do site da ADUFPA.
  Já em Marabá, em uma votação com pouco mais de 20 professores se decidiu sair da greve em uma clara desarticulação entre os sindicatos de Belém (ADUFPA) e de Marabá (SINDUFPAMAB) que ao que parece não estão seguindo na mesma direção. Na segunda 17/09, o campus de Marabá retornará as aulas mesmo sem calendário aprovado pelo CONSEPE, mesmo com a greve sendo mantida na capital e em vários campi da UFPA.
 
A saída isolada de Marabá dificulta a construção de uma saída unificada com calendário único e aprovado no CONSEPE e no Comando Nacional de Greve.

Professores decidem manter a greve em Belém.

Falta agora, verificar como fica a situação perante o CNG (Comando Nacional de Greve) na tentativa de uma volta da greve unificada. A ideia é evitar que os campi voltem um de cada vez em dias diferentes como está se configurando em Marabá. Esse é um desafio do movimento grevista em todo o Brasil; voltar de forma unificada o que não é nada simples, precisa ser construído ao longo da semana do dia 17/09.

SITE DA ADUFPA
http://www.adufpa.org.br/detalha_noticia.php?id=1707

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

UFPA MARABÁ - II SEMINÁRIO FLORESTAN FERNANDES EN BUSCA DO SOCIALISMO.

No dia 31 de agosto, aconteceu o II SEMINÁRIO FLORESTAN FERNANDES EM BUSCA DO SOCIALISMO no campus I da UFPA em Marabá. O seminário foi organizado pelo MOVIMENTO DEBATE & AÇÃO e pelo MST (Movimeto dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra).
Pela manhã duas mesas de debates sobre a obra e a importancia do sociologo para as Ciencias Sociais no Brasil, sua influencia na sociedade brasileira através de suas idéias e militancia política contemporanea brasileira.
Abaixo algumas fotos do evento:
Prof. Celia Congilio debate o trabalho de Florestan
 Prof. Rigler falou sobre a conjuntura atual, sobre as relaçoes de trabalho e a greve dos servidores
Mercedes, liderança do MST, apresentou Florestan Fernandes como uma proposta de um novo paradigma social, uma sociedade independente do Estado.
À noite, música ao vivo com um tributo a Raul Seixas. Toca Raul!!!
Banda Lady Murphy marcou presença tocando sucessos do maluco beleza.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

ATO DOS SERVIDORES EM GREVE - MARABÁ/PA.


    Na manhã desta quarta-feira, servidores da UFPA, FUNAI e INCRA em greve realizaram um ato público como parte da mobilização da GREVE DOS SERVIDORES FEDERAIS que já completa 112 dias.
 A intransigência do governo Dilma em não atender os trabalhadores é absurda. O governo só sinaliza positivamente para os banqueiros, empreiteiras e o capital privado. Os trabalhadores, verdadeiros responsáveis pela realização de um serviço público de qualidade são descaradamente ignorados pelo governo e criminalizados por uma mídia televisiva irresponsável que divide os trabalhadores e coloca o restante da opinião pública contra os servidores que lutam por dias melhores no trabalho e nas suas condições de vida.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Na greve, seguimos.

A greve tem colocado em movimento não só a histórica luta por uma educação de qualidade, mas essencialmente a formação política e o diálogo com a sociedade sobre os processos educativos
14/08/2012
Roberta Traspadini

Estamos prestes a completar três meses de greve na maior parte das universidades públicas brasileiras. Para quem acreditava que esta categoria estava “morta em vida”, paralisada no seu produtivismo individual e mercantil, eis um bom exemplo da aparência fraudadora da essência política.
A greve tem colocado em movimento não só a histórica luta por uma educação de qualidade, mas essencialmente a necessidade de formação política e o diálogo com a sociedade sobre os processos educativos, para além do plano reivindicativo.
Reivindicar melhorias de condições de trabalho implica uma relação direta de respeito e adesão à luta dos técnicos administrativos e alunos. Isto exige debater, com profundidade política e acadêmica, sobre a educação que não teremos, caso não nos movimentemos juntos, contra as atuais políticas de desenvolvimento projetadas para o nosso País.
Algumas das características chaves que nos colocam em greve, como categoria, são: salas de aula lotadas; carga horaria de trabalho em sala de aula excessiva; produtivismo exacerbado, sendo números e formulários a única forma padrão de ser acadêmico de referência CAPES; hierarquização quantitativa do plano de carreira com perdas expressivas para as novas gerações de professores públicos federais – tanto do ensino médio como universitário; hospitais e restaurantes universitários terceirizados e sucateados; ausência de moradia estudantil; salários incompatíveis com o sentido de dedicação exclusiva, se retiradas as gratificações; hierarquização da remuneração pelos títulos e não pelo saber e pela história de dedicação à educação pública de qualidade.
Para os que vivemos o ambiente universitário atual e lutamos para que ele seja mais democrático, participativo e popular, a luta pela educação pública como direito social e dever do Estado, nos exige pensar duas coisas básicas:
1) o processo histórico de degradação da carreira e do sentido de se optar politicamente por ser professor/professora e de se fazer a opção pela educação pública, frente aos ditamos da lógica privada geral, no atual modelo de desenvolvimento dependente brasileiro;
2) o processo de debate com a sociedade sobre os modelos de desenvolvimento e a forma de se tratar as questões chaves manifestas pelos projetos em disputa tanto na educação, quanto na saúde, na questão agrária, entre outras.
Os aspectos positivos da greve estão relacionados ao convívio politizador das e entre as categorias, tanto no interior das universidades, como na relação com a sociedade e demais categorias em greve.
A greve nos abriu uma possibilidade na construção político-educativa: a de nos reconhecermos, como educadores, por opção política. Foi o reforço de nossa re-ação como protagonistas do processo que desejamos construir, a partir da luta que realizamos contra aqueles que prestam um desserviço à Nação, ordenados e orquestrados pelo capital, contra o trabalho, tanto na produção do conhecimento, quanto na produção de mercadorias atreladas a ele.
O saldo positivo da greve não está no êxito das conquistas nas negociações com o Governo, que desde o início se mostrou intransigente na sua lógica de não se dispor a efetivar um processo compatível com o que reivindicamos, no que tange à garantia da qualidade do trabalho do servidor público federal.
Parte do saldo positivo da greve está no movimento coletivo que se abre, a partir dela, mas vai além. A capacidade de romper com a lógica sistêmica e instituir uma construção coletiva em que os saberes se juntem na multiplicidade dos fazeres coletivos no interior da universidade e para grande parte da sociedade.
É assim como a luta pelos 10% para a educação, pautada por várias categorias, vai sendo assumida, como disputa pelo orçamento previsto e executado com supremacia pelo capital, na atual política educacional do Governo brasileiro.
Uma nova juventude está em movimento em todo o Brasil. Este grupo assumirá a batuta da educação superior nos próximos 15 anos, como educando e educador. E já começou o exercício coletivo de formação política, na luta, sobre o que se tem e o que fazer para efetivar o que se quer.
O que está em xeque é o modelo de desenvolvimento brasileiro. A questão da educação, aberta pelas várias greves, se soma à questão agrária, à questão do trabalho, à questão da saúde, enfim, o projeto de desenvolvimento que temos, não queremos e gritamos, com eco coletivo, o que necessitamos realizar juntos, dentro e fora da ordem.

Roberta Traspadini é economista, educadora popular e integrante da Consulta Popular/ ES.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Para onde vão as nossas universidades?!

 
Ricardo Antunes*
Publicado em 6 de agosto de 2012 às 10:35
O ProUni fortaleceu faculdades de fachada. Já as federais, agora produtivistas, não têm nem prédios. Mas vozes privatistas, “de mercado”, criticam a greve.
A expansão do ensino superior durante os governos Lula e Dilma foi quantitativamente ampla, tanto para as universidades públicas quanto para as privadas.
O primeiro grupo vivenciou uma expansão dos campi muito significativa, através da profusão de cursos – muitos dos quais, entretanto, pautados pela razão instrumental, de qualidade duvidosa e em sintonia com a era da flexibilidade.
O segundo grupo viu o governo do PT mostrar também um lado generoso em relação aos mercados. Faculdades em sua grande maioria de fachada, autodefinidas como “instituições do ensino superior”, carentes de rigor científico mínimo em sua docência e pesquisa (esta, salvo raras exceções, inexiste neste ramo empresarial), tiveram seus cofres inflados com o ProUni.
Já que os pobres são tolhidos em larga escala das universidades públicas -uma vez que frequentam o ensino fundamental em escolas públicas, que se encontram destroçadas-, o governo Lula encontrou uma saída bárbara: reuniu-os nos espaços privados do ProUni.
De outra parte, deu-se positivamente a ampliação das universidades públicas, através da expansão dos cursos nas instituições federais e da contratação significativa de docentes. Mas o governo o fez deslanchando o Reuni, programa de expansão das universidades federais.
Constrangidos pelo produtivismo (anti)acadêmico e calibrados pela competição, há precarização de condições de trabalho. Os salários são baixos. A carreira, mal estruturada.
Mas o governo não contava que essa ampliação quantitativa tivesse fortes consequências qualitativas: a nova geração de jovens professores, doutores em sua grande maioria, parece não aceitar sem questionamentos esse lado perverso do Reuni, que quer assemelhar universidades públicas àquelas onde viceja o ProUni.
Dando aulas muitas vezes em galpões, sem salas de professores (quando há, sem condições de pesquisar), os docentes, cujos adoecimentos e padecimentos, para não falar de mortes, não param de se ampliar, decretaram uma ampla e massiva greve nas federais.
Querem melhores salários, condições de trabalho dignas e carreira efetivamente estruturada.
Os conservadores dizem, tentando mascarar o desejo pela completa privatização, que a greve dos docentes públicos é uma forma de “receber sem trabalhar”. “Esquecem” algo elementar: qual docente, no juízo razoável de suas faculdades, quer arrebentar seu calendário e repor aulas quando deveria estar em férias?
Só mesmo as vozes conservadoras podem identificar uma greve, com suas atividades, assembleias, debates, desgastes, riscos e tensões, como “descanso remunerado”, argumento histórico das direitas derrotado pela Constituição de 1988.
Para muitas dessas vozes, a pesquisa e a reflexão livres incomodam. Elas gostariam de privatizar as federais, convertendo-as ou em universidades profissionalizantes ou, ao menos parte delas, em “universidades corporativas”, uma flagrante contradição, pois universalidade não rima com corporação.
Há um segundo ponto importante: muitos alegam que é preciso investir no ensino básico, o que os leva a recusar o apoio à universidade pública. Mas alguém seriamente acredita que aqueles que querem destroçar a universidade pública querem, de fato, um ensino básico público, laico e de qualidade?
*É professor titular de sociologia na Unicamp e autor de “O Continente do Labor” (Boitempo).
Fonte: Vi o mundo