quinta-feira, 5 de julho de 2012

Em Belém, a Greve é pra Valer!

Na manhã de quinta-feira, professores em greve da Ufpa no campus da capital fecharam os portões como forma de pressionar o governo federal que ainda não sinalizou com nenhuma proposta de negociação a partir da pauta nacional de reivindicações dos servidores federais em greve.
  A manifestação funcionou também para pressionar a paralisação das aulas do curso de graduação do Plano Nacional de Formação de professores, o Parfor, que deveriam ter sido suspensas a partir de uma decisão em assembléia docente do dia 27/06. No entanto, a coordenação do PARFOR em Belém, ignorou a decisão e autorizou o inicio das aulas em meio a greve, desrespeitando a decisão coletiva dos trabalhadores.

No video postado aqui, a TV Liberal, como sempre, criminaliza o protesto dos trabalhadores com o velho discurso dos prejuízos, como se eles já não acontecessem diariamente com o gradativo sucateamento e privatização da universidade pública. 
A greve nacional das universidades públicas tem mais de 90% de adesão das instituições e ainda estão em greve também os técnicos federais e o movimento estudantil em várias capitais que deflagaram greve com sua própria pauta e também apoio aos professores.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

PARFOR/MARABÁ NA CONTRAMÃO DA HISTÓRIA.


Caros alunos e demais colegas,
 
A decisão tomada no campus de Marabá faz com que estejamos na contramão da história. Professores do campus de Belém entre outros campi suspenderam todas as atividades; isto sim é greve de verdade! Há contradições como no caso de Altamira que já sinaliza inclusive de retomar as aulas também do intervalar, além do Parfor. Já as federais do Amapá e do Amazonas também suspenderam o Parfor.

TUDO POR DINHEIRO
Contradições a parte, a decisão da assembléia docente do campus de Marabá nos traz uma reflexão sobre a precariedade não só das nossas condições de trabalho, mas também de como o individualismo impregnado nos gestores e coordenadores, que pelo visto esqueceram que são trabalhadores, contamina também os professores que estão muito mais preocupados com seus curriculos lattes e suas carreiras individualmente e por isso, se veem seduzidos pelas bolsas de R$ 5.300,00 do Parfor (pagas em parcelas). Por causa desse dinheiro, muitos colegas abandonaram a luta, aliás muitos nunca estiveram efetivamente em greve - hipócritas! Muitos ainda se apoiaram no discurso de que os alunos do Parfor saíriam prejudicados e que os danos a sua formação seriam irrever$ívei$. Esse posicionamento foi principalmente sustentado por professores em cargos de coordenação do Parfor que na prática são diretores das faculdades do campus de Marabá - esses principalmente preocupados em não "desagradar" as coordenações em Belém, sustentaram discursos a favor do Parfor, mas na verdade já estavam cooptados pelas ordens do governo (via Capes) e por seus intere$$es particulares.


A COLETIVIDADE perdeu, o INDIVIDUALISMO venceu
É essa a realidade cruel em que nós nos encontramos. Interesses particulares de gente que nunca esteve na luta pra valer e que marcou presença na assembléia pura e simplesmente porque seu cargo administrativo poderia ser ameaçado caso o PROGRAMA PARFOR não fosse executado. Eu, na posição de coordenador do Parfor Letras Inglês, fui excessão. É  isso mesmo, quem pensa no coletivo é excessão.
Estamos sob uma mentalidade perversa de competição em que é cada um por si. Se você discorda, o problema é seu, esse cargo é meu, essa bolsa é minha e ninguém tasca. A "cegueira" do individualismo burguês corre na veia de trabalhadores assalariados que gozam de um status de nível superior e por isso não se identificam mais como trabalhadores por causa de seus títulos acadêmicos e porque se comportam no espaço público como se estivessem trabalhando em uma empresa privada e com medo de desagradar o patrão (Capes).


DECEPÇÃO
Enfim, esses são os fatos, por mais que muitos tentem mascará-los com sua retórica acadêmica por trás de sua pseudo-crítica da realidade. Fui voto vencido naquela triste assembléia em que vi muitos dos meus colegas de trabalho votarem a favor do programa do governo se vendendo por bolsas e desistindo da oportunidade de usar o PARFOR como uma bandeira de luta politizando a discussão na busca de mais uma vitória para todos os trabalhadores.

PELO COLETIVO
Finalmente, na segunda-feira (02/07), estarei lá no campus acatando a decisão coletiva, pois diferente de muitos que não sabem o que isso significa manterei minha palavra de acatar a decisão da maioria, mesmo discordando do estado de coisas.

Abraços fraternais,
Prof. Jairo Souza.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

AÇÃO GLOBAL - MST REALIZA ATO NA ALPA

O MST realizou na quarta-feira um ato de protesto contra o atual modelo de desenvolvimento imposto pelo capital internacional. Como parte da AÇÃO GLOBAL - uma série de manifestações mundo afora como um contraponto a realização da RIO+20. O manifesto foi filmado e encontra se aqui e no Youtube. Vale a pena assistir e refletir.

Texto abaixo do Youtube no dia 20 de junho de 2012:
Mais de 400 trabalhadores e estudantes, de diferentes organizações sociais, ocuparam hoje pela manhã a área da Aços Laminados do Pará (Alpa / Vale), o protesto de caráter pacífico, com marchas e composição de monumentos humanos [castanheira, simbolo do dinheiro e a mandala dos povos] faz parte da chamada "Ação Global", que está sendo realizada em várias partes do País, numa ação de crítica ao sistema capitalista e a política da economia verde debatida no evento Rio+20.

Daqui um time mais inglês procês! Charlatões à vista.


O site Inglês Fluente Online (cilque acima mas cuidado pra não se deixar seduzir) da chamada Universidade do Inglês oferece um curso de inglês com duração de oito (08) semanas. A proposta apresentada pelo senhor Jober Chaves de Azevedo que se identifica com um cognome de "Indiana Jober Jones"* (postura que denuncia fata de profissionalismo) promete aos seus alunos a fluência em língua inglesa num curto espaço de tempo. 

A proposta encontra-se inserida na modalidade EAD (Ensino a Distância), o estudante após sua inscrição receberá um material didático via e-mail que corresponde a um material escrito para leitura e áudios em mp3 contendo as aulas. A proposta de aprendizagem anunciada faz referência ao trabalho autoral de Gorgon Dryden e Jeanette Vos do livro Revolucionando o Aprendizado disponível em português em http://www.4shared.com/office/nzt70MXC/revolucionando_o_aprendizado__.html que tem como base, entre outros pesquisadores,o norte-americano Howard Gardner e a teoria da inteligências múltiplas. Apesar de anunciar uma linha de pensamento epistemológico que comungaria com práticas de ensino socio-construtivistas e trabalharia a autonomia de seus alunos, o curso na prática se detém ao modelo behaviorista de abordagem com exercícios que refletem o audiolingualismo com a prática de repetição e a busca de uma pronúncia native-like que idealiza o falante de língua como aquele que conseguiu apagar qualquer traço de sotaque de sua língua materna. De fato, essa visão de aprendizagem ainda ganha respaldo em contextos ILE (Inglês como Língua Estrangeira) até hoje em empresas que se dizem escolas onde os sujeitos responsáveis pelo ensino carecem de formação e qualificação  adequada para o trabalho que desempenham. Com relação a língua estrangeira de modo geral, ainda se sustenta a ideia, até hoje, de que se você sabe falar uma língua você já pode ensinar formalmente. Isso mantém a opinião pública cativa de uma visão equivocada de aprendizagem e abre espaço para pessoas sem qualificação na área (e muitas vezes sem planos de se qualificar, pois enxergam a atividade como um "bico") atuarem como profissionais de língua.
A partir do embasamento teórico inspirado pelo livro supracitado, do qual o senhor Jober Chaves de Azevedo se diz pioneiro por ter trazido a obra para o Brasil, o que é no mínimo duvidoso, já que seu nome não aparece na versão brasileira de tal obra. O Inglês Fluente Online mantém o discurso de estar fazendo uso das mais modernas ferramentas tecnológicas do mundo digital, só pelo fato do curso ser oferecido a distância. Fora disso, não disponibiliza para os alunos outros sites, ou sequer outros ambientes virtuais para que os alunos possam desenvolver suas habilidades. O curso adota uma postura "hermética" de revolucionário como se tivesse descoberto a solução para todos os problemas e dificuldades de aprendizagem, ignora os diferentes contextos em que a aprendizagem pode-se dar, não leva em consideração o público por faixa etária, tenta manter todos no mesmo espaço virtual, descaracterizando a cibercultura e realiza um verdadeiro brainwash em seus alunos.
O curso afirma já estar funcionando com uma experiência de 15 anos e que milhares de pessoas já aprenderam a falar inglês fluentemente através desse "método". É com essa linguagem simplista que infelizmente muitas pessoas se inscrevem em cursos como esse que "prometem o céu" através de fórmulas de sucesso.
Decidi analisar o site  http://www.inglesfluenteonline.com.br/ pois acredito que ele nos dá a oportunidade para refletirmos um pouco sobre o ensino-aprendizagem de língua inglesa e a atividade docente reduzidos a uma oferta de serviço, pura e simplesmente como um produto de mercado. Há um consenso geral da existência dos saberes epistemológicos na área da Linguística, da investigação científica e de toda a literatura sobre ensino de línguas acumulados ao longo dos anos; da importância de tudo isso e da responsabilidade social inerentes à educação formal e da construção de uma formação cidadã; já expressadas claramente em documentos vide LDB, nos PCNs entre outras legislações oficiais como a própria Constituição Brasileira. Por isso, vejo como grave, tratar o ensino de língua inglesa de forma mercantilizada, simplesmente como um produto a ser consumido através de um serviço. A livre iniciativa também presente na Constituição não pode funcionar como "brecha na lei" para atividades irresponsáveis no campo da educação.
Infelizmente, no Brasil, muitos que se intitulam empreendedores (leia-se aqui aventureiros) atuam livremente como se fossem profissionais da área de educação e faturam muito com suas atividades muito mais mercadológicas do que educacionais. Um problema sério em nosso país que se perpetua agora através do mundo virtual também.

 "Indiana Jober Jones"*- ao se identificar assim reforça o estereótipo de que inglês só se fala como norte-americano, visão territorializadora e colonialista altamente questionável em que Os Estados Unidos se configuram como única ou melhor referência de falante da língua. A imagem de Hollywood ou da Disneylandia são característicos de quem não tem formação na área educacional e acredita em fórmulas mirabolantes de ensino. Uma prática comum ainda mantida por muitas escolas de idiomas, em outras palavras ALIENAÇÃO PURA.

sábado, 23 de junho de 2012

Quando psicopatas vão ao trabalho. (2)

Language, Culture and Society.: Quando psicopatas vão ao trabalho.: Você conhece um sociopata? Será que não? Olhe em volta, pois você pode estar convivendo com um deles. O título desta postagem é também a ...( clique no link acima)

Novamente retorno ao assunto da SOCIOPATIA, um mal que acomete muito mais gente do que imaginamos.
No filme MISERY que no Brasil se chamou "Louca Obssessão", a atriz Kathy Bates interpreta a "fã número um" de um famoso escritor de romances. Após salvar o seu "ídolo" de um acidente automobilístico num inverno rigoroso no interior do Estado de Nevada, US, sua personagem se revela muito mais que uma simples fã de literatura.

A obra cinematográfica retrata a psicopatia que é uma disfunção neurológica entendida por espcialistas como muito mais grave do que a chamada SOCIOPATIA, mas o filme nos traz a chance de entendermos um pouco de como também funciona a mente dos sociopatas que estão por aí nas empresas, na escola, na família, etc.

Saiba Mais:
http://www.interfilmes.com/filme_13788_louca.obsessao.html
http://ramblefilm.blogspot.com.br/2011/11/cold-cold-film-thoughts-on-misery.html

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Pistoleiros de Farda atacam Trabalhadores Rurais.

Divulgo aqui texto enviado pelo Prof. Bruno Malheiro (Ufpa - Marabá).

Nesta quinta feira, 21 de Junho de 2012 em frente a fazenda Cedro de propriedade do banqueiro Daniel Dantas, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) manifestavam contra a grilagem de terras públicas, contra o desmatamento e o uso de venenos na agricultura e pela efetivação da Política de Reforma Agrária. A marcha, com tom pacífico e integrando o conjunto de manifestações no contexto da Rio + 20, tinha a presença de crianças, mulheres gestantes gozando do direito de exigir seus direitos. Quando o corredor humano se aproximou da fazenda, vários homens da escolta armada que policia a fazenda atiraram na direção dos manifestantes que, desarmados, respondiam com fogos de artifício. A truculência foi tamanha que uma mulher que acompanhava a marcha e estava do outro lado da BR-155, com sua filha no colo, sentada em uma guarita, onde param ônibus e vans, viu sua criança sendo atingida na cabeça de raspão por uma bala. Os tiros continuaram e vários outros agricultores foram feridos. Se não fosse vários manifestantes se esconderem atrás do muro da porta de entrada da fazenda, talvez um massacre tivesse ocorrido. A polícia, quando chegou, encontrou armas pesadas dos seguranças da fazenda.

Este fato nos coloca algumas questões: 
1 - Como a questão está sendo tratada na grande mídia? Falam de conflito, como se tivesse ocorrido confronto. Alguém já se perguntou se algum segurança está ferido? Não esqueçamos de novembro de 2009, em uma outra marcha na mesma BR-155 e por pouco a polícia não promove um massacre justificado pela grande mídia pela circulação de imagens de destruição de fazendas e pela criminalização dos movimentos sociais ligados a questão agrária. Não esqueçamos também, como fez a grande mídia, de Zé Claudio e Maria, que acabava de se formar em pedagogia pela UFPA, brutalmente assassinados em Nova Ipixuna em maio de 2011. A micropolítica nunca exibiu tantos corpos rejeitados do direito de existir e os discursos midiáticos nunca quiseram tanto que estes corpos não existissem...

2 - Qual a efetividade da política de Reforma Agrária deste governo? Há mais de dois anos as ocupações aumentam, as manifestações engrossam, mais terras foram consideradas griladas e improdutivas, mas qual a resposta do INCRA? Nenhuma fazenda desapropriada, eu diria!!! Um governo alinhado aos interesses do agronegócio e da mineração que tem na reprimarização da produção a estratégia de revigorar nossa condição de colônia, talvez agora para a China, não pode ter outra resposta! E o pior é a tintura de popular que alguns teimam em pintar esse governo... O consenso e a popularidade justifica abusos, autoritarismos (como Belo Monte), corrupção e uma política que aprofunda as contradições sociais.

3 - Alguém já parou para pensar na proliferação das escoltas armadas, particularmente na região do sudeste do Pará? Algo que seria para ser usado para, principalmente, garantir a segurança no transporte de cargas e valores, é uma brecha na legislação que está sendo usada para a legitimação da pistolagem! Eu mesmo já fui monitorado por elas em dois trabalhos de campo, principalmente em Serra Pelada. Parece que Agamben estava certo quando disse que essas medidas chamadas de extraordinárias são “inicialmente apresentadas como medidas ligadas a acontecimentos excepcionais, reservadas a situações limitadas no tempo e no espaço, [e depois] tornam-se regra”. Não podemos aceitar isso com naturalidade, algo pensado para excepcionalidades não pode se tornar normal!
4 - É claro e evidente para todos que o capitalismo nesta região congrega uma multiplicidades de relações contraditórias entre si, que o sudeste do Pará é um front entre vários projetos de territorialização, que a renda da terra, o capital comercial, industrial e financeiro estão aqui ligados de forma umbilical, assim como várias formas de exploração do trabalho. Aqui, de modo geral, a expulsão de camponeses da terra, o saque dos recursos naturais, dos meios de produção e de existência dos sujeitos do campo, a expropriação privada de bens públicos e dos saberes comunitários tradicionais é um processo permanente. O ontem, o hoje e o amanhã do capital dão as mãos para conseguirem taxas de lucro mais elevadas. É nesse contexto que emergem, então, a luta pela permanência ou reconquista do território por camponeses, indígenas, atingidos por barragem, por mineração... Nesse cenário de luta por direitos e por uma nova forma de viver, no que aqueles que lutam se transformam para a sociedade em geral? Em criminosos, ou então, em sujeitos descartáveis para a biopolítica geral!   
5 - Diante de tudo isso a sociedade em geral continua consumindo os discursos midiáticos, tomamos posições cômodas, fugindo da realidade que nos cerca... não podemos nos transformar em cúmplices de novos massacres!!!
Bruno Malheiro.